O que esperar da economia brasileira em 2023? – Forbes Brasil

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    A alta dos juros deve trazer novas consequências para a economia mundial. Mas o que isso significa para o Brasil?
    O ano de 2022 está chegando ao fim, mas os desafios vividos pelo Brasil e pelo mundo nos últimos 12 meses dificilmente vão ser deixados para trás quando os ponteiros do relógio atingirem a meia-noite do dia 31 de dezembro.
    O ano foi marcado pela preocupação persistente com a inflação, que ocasionou uma forte resposta dos principais bancos centrais. A alta dos juros deve trazer novas consequências para a economia mundial. Mas o que isso significa para o Brasil em 2023?
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    Na tentativa de entender quais serão os principais desafios do próximo ano, a Forbes Brasil conversou com especialistas do Bank of America, Inter Research, SulAmérica Investimentos e da XP, que trouxeram pontos importantes a serem analisados pelos investidores.
    Para os analistas, a primeira coisa que deve ser analisada pelos profissionais do mercado é a situação política. Na visão deles, a incerteza em torno do setor fiscal do governo eleito deve manter a volatilidade em alta.
    “Nós não acreditamos que é preciso ter um fiscal completamente equilibrado e positivo, mas seria bom ver algum tipo de tranquilidade na dívida pública, que ficou mais leve com o teto de gastos”, explica Caio Megale, economista-chefe da XP.
    Ele afirma que o que está sendo sinalizado agora, com a aprovação da PEC da Transição, é que o país terá uma expansão fiscal contratada, mas ainda é preciso avaliar com cuidado o cenário para entender quais serão os movimentos do novo governo.
    “Se a dívida sobe, é muito difícil imaginar que a expectativa de inflação caia”, explica Megale. “A inflação é uma ferramenta que o governo tem para conseguir financiar o valor alto de dívidas, o que pode ser uma possibilidade daqui para frente.”
    Falando em inflação, a expectativa do relatório Focus, elaborado pelo Banco Central, é de que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) continue alto em 2023, atingindo 5,23% segundo o Relatório Focus publicado no dia 26 de dezembro. A visão do Banco Inter está em linha com a do BC, enquanto a projeção da XP é um pouco menos otimista, de 5,4%, e a da SulAmérica traz uma visão mais positiva, de 4,8%.
    Pensando nesse cenário, a XP adiou a expectativa de corte da taxa de juros, que estava projetada pela corretora para o segundo semestre de 2023, apenas para 2024. O Inter ainda aposta em uma redução na taxa Selic no meio do ano que vem, enquanto a SulAmérica acredita que os juros devem terminar o ano em 12,25%. O Bank of America vai ainda mais longe e afirma esperar que a taxa Selic termine em 2023 em 10,50%. Na última edição do Focus, as projeções para a Selic em dezembro de 2023 subiram para 12% ao ano.
    “Isso não significa apenas que levará mais tempo para o mercado voltar aos nomes de crescimento ou até mesmo adicionar às ações, mas também coloca pressão adicional para os ganhos no próximo ano”, avaliam os estrategistas do Bank Of America. “Taxas mais altas por mais tempo causarão maiores despesas financeiras e prejudicarão a demanda devido a um consumidor já endividado. Atividade resiliente e gastos fiscais não serão suficientes para compensar isso.”
    Tanto para a SulAmérica quanto para a XP, o Produto Interno Bruno (PIB) no ano que vem deve ter um crescimento pequeno, o que mostra que as decisões do banco central estão conseguindo desacelerar a economia brasileira. Para a XP, a expectativa é de crescimento de 1%, enquanto a SulAmérica prevê apenas um avanço de 0,3% no período.
    Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o ano deve ser puxado, novamente, pelo desempenho do agronegócio, que conseguiu se manter intacto durante os piores períodos da pandemia.
    Porém, para o Inter Research, a tendência é que o PIB desacelere no próximo ano, mas consiga subir em torno de 2,5% no acumulado de 12 meses.
    Apesar dos aspectos levemente mais negativos do que o esperado anteriormente, na visão da XP Investimentos, uma possível abertura mais consistente do mercado na China pode ser positiva para o Brasil, já que a movimentação deve beneficiar o preço das commodities como minério de ferro.
    “Esse cenário pode ser muito positivo para a Bolsa de Valores brasileira, já que temos muitas empresas expostas a commodities, como minério de ferro e aço, que podem se beneficiar dos preços mais altos das matérias-primas”, avalia Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP.
    O Bank Of America tenta pensar em uma perspectiva mais pé no chão, já que os preços das commodities atingiram patamares muito elevados em 2022. “Nós estamos assumindo um crescimento baixo dos ganhos das principais empresas de commodities para o ano que vem. Imaginamos que a Petrobras e a Vale não devem registrar fortes avanços nos próximos dois anos, à medida que os preços do petróleo e do minério de ferro se acomodam”, avalia o banco.
    Porém, o BofA ainda tem um pouquinho de otimismo, assim como a XP. “Se a visibilidade dos preços das commodities melhorar ao longo do ano, isso pode permitir que as avaliações dessas empresas se recuperem de níveis muito deprimidos e tragam a adição de valor para o Ibovespa em si.”
    Para o petróleo, o Inter ainda vê um ano positivo. “Para 2023, estamos considerando o preço do barril em cerca de US$ 80, patamar ainda elevado em relação ao pré-pandêmico, mas arrefecendo nos anos posteriores, com um preço de US$ 65 no longo prazo”, avaliam Rafaela Vitória, economista-chefe e Gabriela Joubert, analista-chefe do reserach. “O aumento do interesse por fontes alternativas, conforme a agenda ESG ganha espaço, tem limitado os investimentos em combustíveis fósseis, o que poderá comprometer as dinâmicas de oferta e demanda no longo prazo.”
    As commodities agrícolas, por outro lado, tem uma perspectiva ainda muito forte para 2023, já que a oferta mundial continua limitada.
    Assim, a projeção para a safra 22/23 de grãos no Brasil se mantém recorde, com uma produção total estimada pela Conab de 312,2 milhões de toneladas, 15% superior à safra 21/22. O mix entre o cenário externo e perspectivas domésticas positivas abre portas para uma maior expansão do Brasil no mercado externo.
    Levando em consideração todos os fatores elencados acima, o Ibovespa deve ter, novamente, um ano de cautela. Com a deterioração do cenário internacional, com uma recessão iminente na Europa e ainda não fora de perspectiva nos Estados Unidos, a Bolsa brasileira pode acabar sentindo os respingos negativos.
    Além disso, apesar da breve recuperação do índice nas últimas semanas do ano, chegando a atingir quase 10 mil pontos pouco antes do Natal, o Ibovespa foi fortemente afetado pelo cenário econômico e político ao longo de 2022.
    Para o Bank of America, o índice deve encerrar o ano em 135 mil pontos, uma valorização de mais de 20% em relação ao patamar visto nos últimos dias. “Apesar da nossa previsão de baixo crescimento do PIB para 2023, esperamos que as empresas do Ibovespa tenham sucesso no aumento dos lucros nos próximos dois anos”, avalia o banco.
    A XP acredita que o índice termine o ano na casa dos 125 mil pontos com a nova perspectiva econômica. “Para o próximo ano, temos uma visão um pouco mais cautelosa para a Bolsa brasileira como um todo, considerando os riscos de uma recessão global e, na parte doméstica, dúvidas sobre quais serão as políticas no próximo governo”, afirmam os analistas.
    Com a cautela ainda pairando sobre a renda variável e os ativos de risco no país, a recomendação geral dos analistas é voltada para a renda fixa.
    “Recomendamos a alocação em renda fixa distribuída entre pós-fixados, atrelados ao CDI, e indexados à inflação. As taxas dos títulos NTN-Bs acima de 6% estão em patamar bastante elevado, já refletindo o cenário de maior risco, além de oferecer proteção contra uma inflação mais persistente”, afirmam as analistas do Inter.
    Para elas, os títulos de crédito privado de elevada qualidade e com isenção de IR também são boas opções para compor a carteira, assim como fundos de infra estrutura e FIIs, que também alocam em papéis indexados e mantêm a isenção para seus cotistas.
    A visão da XP é bastante parecida. Para eles, os títulos de renda fixa pós-fixados são a melhor opção, principalmente os atrelados à inflação. Os prefixados, no momento, mostram um pouco mais de cautela, por conta de uma maior volatilidade do mercado.
    Porém, na visão geral, a Bolsa brasileira está barata! Então, existem alguns ativos que, se forem avaliados de forma minuciosa, podem fazer bastante sentido. As estatais, como Petrobras (PETR3/PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3), estão deixando as carteiras recomendadas dos analistas e sendo trocadas por sugestões como PRIO (PRIO3) e Itaú (ITUB4).

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